O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) publicou o Parecer da Banca Corretora referente aos recursos contra o Padrão Esperado de Procedimentos (PEP) da 2ª etapa do Revalida 2025/2. O documento apresenta a análise individual dos recursos e informa, item a item, quais pedidos foram acolhidos e quais resultaram em alterações no padrão de correção da prova.
A maior parte dos recursos foi indeferida, mantendo os critérios originalmente previstos. Entretanto, algumas solicitações foram acolhidas parcialmente, promovendo mudanças importantes em determinados itens de avaliação. Essas alterações podem impactar diretamente a nota dos participantes.
Houve mudanças no PEP definitivo?
Sim. Embora a maioria dos recursos tenha sido rejeitada, a banca alterou alguns itens do PEP, ampliando critérios de pontuação em determinadas estações.
Além disso, o documento deixa claro que, em diversos casos, não houve necessidade de alterar formalmente o PEP, pois os avaliadores já estavam orientados a aceitar termos técnicos e expressões semanticamente equivalentes ao gabarito oficial. Ou seja, diversos sinônimos já seriam considerados corretos durante a correção, independentemente de constarem literalmente no padrão esperado.
Principais alterações identificadas
1. Ampliação dos antecedentes pessoais relevantes para rastreamento de diabetes
Na Estação 1 (Clínica Médica), a banca acolheu parcialmente os recursos relacionados ao item que avaliava a investigação dos antecedentes pessoais.
Foram incluídos como respostas válidas os seguintes fatores de risco:
- Sobrepeso;
- História de doença cardiovascular;
- Dislipidemia;
- Síndrome dos ovários policísticos (SOP);
- Acantose nigricans;
- Sedentarismo.
Com isso, o PEP definitivo passou a contemplar esses novos elementos na avaliação do candidato.
2. Alteração dos critérios de pontuação do Item 3
Em razão da ampliação do conteúdo aceito, a banca modificou também os critérios de pontuação do Item 3.
O novo padrão passou a considerar nove possíveis condições investigadas, exigindo:
- pontuação máxima para quem investigar sete ou mais condições, incluindo obrigatoriamente diabetes prévio e diabetes gestacional;
- pontuação parcial para quem investigar entre quatro e seis condições, também com os dois itens obrigatórios;
- pontuação zero para quem investigar três ou menos condições ou deixar de abordar os dois critérios obrigatórios.
3. Alteração nos critérios do Item sobre hábitos de vida
Outra mudança ocorreu no item referente à investigação dos hábitos de vida.
O PEP definitivo estabeleceu que:
- a nota máxima exige investigação de quatro ou mais hábitos, incluindo obrigatoriamente hábitos alimentares e atividade física;
- a nota parcial passou a ser atribuída quando o candidato investiga três itens, desde que inclua obrigatoriamente alimentação e atividade física;
- respostas com apenas dois itens, ou somente os três itens não obrigatórios, permanecem sem pontuação.
O que não mudou?
Apesar do grande número de recursos apresentados, diversos pedidos foram rejeitados pela banca.
Entre os principais pontos mantidos estão:
- manutenção dos sintomas típicos de hiperglicemia originalmente previstos;
- rejeição da inclusão de sintomas inespecíficos, como fadiga, cefaleia e cicatrização lenta;
- manutenção da obrigatoriedade de investigar diabetes gestacional;
- rejeição de perguntas genéricas sobre comorbidades como equivalentes aos questionamentos específicos exigidos pelo PEP;
- manutenção da necessidade de investigar diretamente história familiar de diabetes, sem aceitação de perguntas amplas sobre doenças familiares.
Aceitação de sinônimos continua sendo regra
Um dos pontos mais relevantes do parecer é a reafirmação de que o PEP não possui caráter de exclusividade terminológica.
Ao longo do documento, a banca esclarece repetidamente que os avaliadores foram orientados a aceitar termos técnicos, expressões leigas e formulações semanticamente equivalentes, desde que atendam ao objetivo do item avaliado. Isso significa que muitos recursos foram indeferidos não porque a expressão estivesse errada, mas porque ela já seria considerada válida durante a correção.
Vale a pena recorrer da nota individual?
Mesmo com a publicação do PEP definitivo, isso não significa que todas as correções individuais estejam corretas.
A experiência mostra que muitos candidatos deixam de receber pontuação em itens que efetivamente executaram durante a prova. Nesses casos, o recurso individual continua sendo uma ferramenta importante para demonstrar, com base no vídeo da estação, que o desempenho corresponde aos critérios previstos no PEP definitivo.
Por isso, a análise personalizada do vídeo e da ficha de correção continua sendo fundamental para identificar erros de avaliação que podem resultar em aumento da nota final.
Conclusão
O PEP definitivo do Revalida 2025/2 trouxe alterações pontuais, mas relevantes, especialmente na Estação 1, ampliando critérios de pontuação relacionados aos antecedentes pessoais e aos hábitos de vida investigados durante a consulta. Também reforçou o entendimento de que sinônimos e expressões equivalentes já são aceitos pelos avaliadores, desde que preservem o conteúdo técnico esperado.
Agora, a etapa mais importante passa a ser a conferência da correção individual de cada candidato, verificando se a pontuação atribuída corresponde efetivamente ao desempenho demonstrado na prova prática.
